terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Educação: Professores brasileiros não sabem ensinar


Gosto de dizer (é sério, gosto mesmo de dizer) que a espécie humana é um paradoxo similar a um buraco-negro: difícil de entender, difícil de estudar, difícil de categorizar, difícil de observar e difícil de conceber. Mesmo assim, contra todas as lógicas possíveis, existimos. Professores são humanos e, portanto, são entremeados por seus próprios paradoxos.

Explicarei melhor: quantos professores que me leem são contra a ditadura? Claro que a maioria dirá a si mesma que é contra a ditadura. Que educador, em sã consciência, seria a favor de um sistema autoritário, fascista, que priva outras trocas de informação além das permitidas, que cerceia a liberdade de expressão, que impõe sua vontade sobre as individualidades e ainda pune com a perda de direitos ou a exclusão social toda e qualquer quebra de normas abusivas e diminuidoras da liberdade? Ditadores, ou pessoas que agem e pensam assim, mereceriam a morte, não é?

Complicado pensar assim, pois se matássemos todos os ditadores, o Brasil ficaria sem professores. Veja bem seu comportamento em sala de aula enquanto professor (quem não é professor, verifique também aqueles que os ensinam) e verificarão bem do que estou falando: os professores são autoritários, irritadiços, homogenizam seus alunos (fascismo), não deixam os alunos conversar nem um pouquinho, não permitem que eles relaxem, não deixam os alunos se expressarem livremente (usando boné ou dormindo, por exemplo), impõem sua vontade sobre a individualidade dos alunos, e qualquer aluno em sã consciência que perceba o quanto o professor é abusivo, é retirado da sala de aula ou suspenso pela coordenação.

Não há salário baixo que justifique esse tipo de comportamento, pois seria o mesmo que pagar um salário mínimo a um senador e usar isso para justificar a corrupção. O salário interfere na qualidade do serviço, e não na forma de tratamento interpessoal (há pessoas miseráveis que respeitam o outro melhor que muito ricaço por aí). Alguns de meus amigos são professores, terminantemente contra a ditadura, mas apoiam contradições, como o modelo tradicional de ensino, o politicamente correto e as distorções dos movimentos sociais. Enfim, um paradoxo.

A culpa, porém, é de nossos sistema educacional fixo, unimodal e sem nenhuma reflexão crítica a respeito do próprio ato da educação. A LDB (Lei de Diretrizes e Bases), em seu Artigo 34, por exemplo, reza:
Art. 34. A jornada escolar no ensino fundamental incluirá pelo menos quatro horas de trabalho efetivo em sala de aula, sendo progressivamente ampliado o período de permanência na escola.
Claro que a própria lei, em seu Artigo 3º, inciso III, garante o pluralismo de ideias e concepções pedagógicas. O pluralismo não é de ação, não é de execução, não é de prática, mas tão somente de ideias e concepções, ou seja, um pluralismo tão somente teórico. Podem estar dizendo que estou interpretando, mas o problema é que a lei não fala nada sobre o mundo prático, fica apenas na teoria. Sobre outras modalidades, há umas poucas linhas sobre educação a distância (Artigo 32, Inciso IV, parágrafo 4º; Artigo 62, parágrafos 2º e 3º, e algo mais específico no Artigo 80).

O problema é que o Brasil se vale ainda de uma Lei de Diretrizes e Bases filha de um sistema de ditadura, com pouca modificações, e ainda presa às concepções de mundo fechadas dos pais da maioria dos alunos. O resultado é uma educação cerceante, repleta de conteúdos inúteis, ineficiente, desfocada, autoritária e pessimamente organizada. Se a educação é cerceante, significa que ela não forma os alunos, ela os desmancha e os esquece. Os conteúdos são inúteis, pois os alunos saem conhecedores de número complexos e literatura brasileira, mas são completamente inaptos para consertar uma pia entupida. A educação é ineficiente: ela não se presta àquilo a que se propôs (alunos saem do ensino médio sem saber nem mesmo escrever um texto). A educação é desfocada, pois o generalismo dos conteúdos não á liberdade de qualquer aluno focar no que quer para seu futuro. A educação é autoritária, tirando a voz e a defesa dos alunos, seus maiores interessados. A educação brasileira é pessimamente organizada, e os salários dos professores e as condições físicas das escolas refletem bem isso.

A coisa mais urgente e rápida para resolver isso é garantir aos professores ferramentas para que possam gerir com mais cuidado seu processo educativo. Falta aos professores um treinamento para que possam usar outros modelos educacionais além do tradicional Oral-Expositivo, e falta ao Estado sensibilidade para outras modalidades educacionais que podem ser perfeitamente aplicáveis (algumas sairiam até mais barato, e o único preço que se pagaria seria o menor controle político sobre os alunos). E que modalidades poderiam ser aplicadas no Brasil? Listei um conjunto de 21 modalidades, recolhidas de fontes diversas, que poderiam ser escolhidas por professores, escolas, estados e até mesmo disponibilizadas como opções válidas pela própria União.

1. Presencial de Campo
O modelo presencial de campo nada mais é que uma educação presencial, com horário fixo, local livre e turmas tradicionais em que o professor demonstra o conteúdo estudado de forma prática, como em uma oficina ou num laboratório. Um professor de Biologia poderia dar sua aula na beira do mar, e um professor de redação organizaria sua aula em uma praça, em forma de sarau de leitura. A avaliação costuma ser conjunta (ou seja, cada aluno é avaliado pelo professor e pelos demais).

2. Presencial Expositiva
É o modelo que chamamos de tradicional. Nele, há um local fixo, um horário fixo e turmas tradicionais em que o professor expõe oralmente o conteúdo (ou segue uma dinâmica de regras fixas), e avalia os alunos individualmente e pessoalmente por meio de exercícios ou de pergunta-resposta. Por ser aquele a que todos fomos expostos em nosso histórico escolar, é geralmente o modelo que os professores acabam seguindo (e ao qual acabam se limitando) em sua prática profissional.

3. Presencial de Círculo
Exige local fixo, horário fixo e turma tradicional. Foi muito usado por Paulo Freire, preconizando apenas que o conteúdo seja apresentado superficialmente e depois discutido livremente por todos os membros da turma, sendo o conteúdo apresentado apenas um ponto inicial, podendo até mesmo ser desviado para questões que interessem aos alunos. A avaliação se dá por participação e menos por memorização do conteúdo.

4. Presencial Orientada
Não há um horário fixo, mas pode não ter um local fixo. A relação professor-aluno é de 1 para 1. Esse modelo educacional requer apenas que o aluno deseje ler sobre determinado assunto (ou deseje realizar as leituras inerentes a todas as disciplinas de um curso). Em vez de um professor, teríamos um tutor ou orientados, que apenas direcionaria e guiaria os livros que esse aluno quisesse ler, estaria presente para tirar dúvidas durante a leitura, e realização a avaliação por meio da produção de qualquer coisa que demonstrasse compreensão e domínio do conteúdo lido (podendo ser uma dissertação, uma tese, uma peça musical, um relatório, um estudo de caso, etc.). É mais usado nas pós-graduações.

5. Presencial Mista
Esse modelo, apesar de muitos professores acharem que aplicam, é extremamente raro e difícil de executar. Muitos professores Expositivos dão uma verdadeira aula aos seus orientando sobre o conteúdo, e acham que com isso eles orientaram (muito professor de pós-graduação faz isso). Um professor que usa o modelo presencial misto alterna entre esses diversos modelos, de modo a alcançar melhor todas as potencialidades de seus alunos. Um professor que opte por esse modelo deve estar mais disponível em tempo que os demais.

6. Autodidatismo Dirigido
Semelhante à modalidade Presencial Orientada, mas com a diferença de que o aluno não precisa da presença do professor para que possa dirigir suas leituras e seu aprendizado, mas precisa de um orientador ou um tutor, que dá a bibliografia e se ausenta. O aluno então escolhe ler tudo o que desejar sobre o assunto, e realiza tão somente um teste final que ateste eu domínio dos conteúdos.

7. Autodidatismo Pleno
O autodidatismo pleno exige apenas que o indivíduo queira ler e pesquise por si mesmo. Se quiser ser credenciado, que realize uma avaliação que ateste seus conhecimentos.

8. Homeschooling de Campo
O Homeschooling é a educação feita em casa, pelos pais, que leem, estudam e direcionam seus próprios filhos. No final de cada etapa, seus filhos podem realizar uma avaliação que ateste seu domínio dos conhecimentos. No Homeschooling de Campo é semelhante ao Presencial de Campo, com a diferença de que é executada pelos próprios pais ou tutores legais do jovem.

9. Homeschooling Expositivo
Similar ao Presencial Expositivo, com a diferença de que é executada pelos pais ou tutores legais do jovem.

10. Homeschooling de Círculo
Similar ao Presencial de Círculo, com a diferença de que é executada pelos pais ou tutores legais do jovem.

11. Homeschooling Orientado
Similar ao Presencial Orientado, com a diferença de que é executada pelos pais ou tutores legais do jovem.

12. Homeschooling Misto
Similar ao Presencial Misto, com a diferença de que é executada pelos pais ou tutores legais do jovem.

13. A Distância Interativo
O modelo a distância interativo implica no uso de tecnologias que permitam a interação e a troca de conhecimentos entre os alunos e o professor. Nesse modelo, não há um horário fixo, um local fixo ou uma turma no estilo tradicional. O professor é anulado à posição de "mais um" que faça uso da tecnologia e esteja cadastrado no curso, e sua função se resume a manter os alunos motivados e informados. Digamos que a função dessa modalidade é que os alunos dirijam eu próprio aprendizado, e até esqueçam que o curso possui algum professor.

14. A Distância Personalizado
Realizado por carta ou e-mail, é o modelo a distância de 1 para 1, um professor responde um aluno de cada vez, e os alunos não trocam muitos conhecimentos entre si. Mesmo assim, há no mesmo a liberdade de gerir seu próprio aprendizado e, assim como no modelo Interativo, o objetivo do professor é ficar praticamente invisível no processo como um todo.

15. A Distância de Massa
Há um horário fixo (a não ser que se disponibilize o material posteriormente), mas o local não é fixo, e a turma não é tradicional. Nesse modelo, o aluno aprende por meio da exposição audiovisual de massa ou escrita (TV, rádio, jornal), e depois responde o material escrito de exercícios. O modelo a distância de massa é, por exemplo, o que testemunhamos todas as manhãs com o Telecurso da Fundação Roberto Marinho.

16. A Distância Autoinstrucional
O professor envia um material explicando ao aprendente não apenas parte do conteúdo, mas também como ele deve estudá-lo. O modelo a distância autoinstrucional se dá geralmente por escrito. O aluno recebe um material que ensina a ele como obter o conhecimento desejado, quais fontes buscar, como realizar os exercícios e as atividades e como se avaliar. Ou seja, é um modelo que prevê tão somente um conjunto de instruções para que o aluno possa aprender sozinho um conteúdo específico.

17. Pesquisa Dirigida
Na pesquisa dirigida, o aluno recebe um conjunto prévio de conhecimentos por meio de qualquer outra modalidade, e depois participa de um grupo de pesquisas. Com ou sem um orientador, o grupo se auxilia mutuamente, estudando, pesquisando e construindo suas conclusões em conjunto acerca do objeto pesquisado. É um modelo coletivo que não prevê a presença de um educador, e sua avaliação se dá por publicação de pesquisa.

18. Grupo de Estudos
Um grupo de estudos é uma estrutura não hierarquizada e não fixa. Há um assunto em específico que todos os membros do grupo desejam estudar, que é lido, discutido, avaliado e somado à sequência de conhecimentos. Um grupo de estudos pode escolher ler sobre qualquer assunto, seguir qualquer velocidade, e os membros ajudam uns aos outros acerca de eventuais dúvidas que apareçam. No fim, podem inclusive realizar uma prova que ateste os conhecimentos adquiridos.

19. Grupo de Leitura
O grupo de leitura apenas se reúne e lê, em voz alta, os livros que foram escolhidos, e em seguida discutem o tema. Diferente do grupo de estudos, há um tema específico ou assunto a ser seguido (leitores de filosofia, de ficção científica, de teatro etc.).

20. Sistema Matético
No sistema matético, o professor não ensina ao aluno o conteúdo, mas apenas técnicas de aprendizado, memorização, associação, fichamento, e deixa o aluno livre para estudar o conteúdo à sua maneira. No sistema matético, o aluno não aprende o conteúdo, ele aprende a aprender o conteúdo. Pode ser executado presencialmente ou a distância, ou mesmo ser feito em casa, e pode facilmente migrar para uma das duas formas de autodidatismo apresentadas aqui.

21. Sistema Peripatético
O peripatetismo prevê apenas um mestre que exponha os conteúdos e seja seguido por um conjunto e alunos para onde quer que ele vá. Nesse modelo educacional, tudo o que um professor vê torna-se um motivo para ensinar algo. É muito usado por mestres religiosos e filosóficos, mas nada impede que não possa ser usado por professores regulares (como, por exemplo, escolher a sexta-feira inteira para expor seus conteúdos).

E olha que deixei de lado uma porrada de outras modalidades: coaching (executivo, life coaching, de performance), couseling, tutoria (ou mentoring), jogo teatral etc. Uma coisa que Celso Antunes falou uma vez (não me perguntem onde!) é que qualquer modalidade educacional, se bem executada, poderia formar um bom médico ou um bom professor, e qualquer modalidade educacional, mal executada, geraria um médico ou um professor ruins. O problema do Brasil é que os professores se viciaram em apenas um modelo, jogam a culpa no salário (apesar de até os mais bem pagos serem igualmente viciados no modelo presencial expositivo), e ainda executam mal o seu trabalho de professores (a maioria dos que recebem mais de 3 mil mensais são péssimos professores). Enfim, apesar de ser professor, é um puxão de orelha que estou dando à minha classe.

Talvez algum colega ou amigo professor venha me inquerir aqui: como não sabemos ensinar? Enfrentamos duas gerações de bandidos, gerações de corruptos, um povo que não nos valoriza e ainda assim fazemos nosso trabalho... Eu reponderei: se ainda há bandidos, corruptos e gente que não valoriza o professor, então ainda fazemos nosso trabalho do modo errado!

7 mamíferos comentaram:

  1. Félix, um dos grandes problemas - se não o maior - do nosso ensino é que ele não tem um objetivo minimamente razoável. Quando o objetivo é inexistente, ou absurdo, qualquer porcaria que se faça dá no mesmo. É como o diálogo entre Alice e o Gato Risonho:

    - O senhor pode me indicar que caminho seguir?

    - Isso depende de para onde você quer ir.

    - Oh, qualquer lugar serve.

    - Então, qualquer caminho serve.

    Quando um professor ouve um aluno perguntar "professor, por que eu tenho que aprender a ordem em que os elétrons preenchem as camadas eletrônicas do átomo? pra que serve isso?", ele está absolutamente encurralado.

    A única resposta razoável é desancar a completa irrazoabilidade do conteúdo: "porque algum imbecil com poder determinou que você tem que aprender isso e eu tenho que apresentar essa porcaria de conteúdo inútil e te avaliar por isso - é a lei, e é mesmo irracional".

    Mas isso traz um outro problema: exposto à verdade nua e crua, o aluno pode se rebelar, pois rebelar-se contra tal abominação é o que se espera de uma mente saudável. E isso não pode acontecer, sob pena de violar os verdadeiros objetivos deste tipo de "educação".

    Interessantemente, o professor é o principal culpado por esse tipo de situação constrangedora, surreal, absurda. Isso acontece porque ele é um acomodado, e como tal ele teria que se assumir caso desse esta resposta. Portanto, para não assumir sua mediocridade e sua falta de combatividade, porque ele reclama do salário mas não quer largar o osso e ir dar a cara a tapa no mercado para abrir sua empresa e ganhar um valor decente, porque ou não tem competência ou abomina o risco, o professor defende o sistema e justifica o conteúdo com "é para aprender a pensar" ou alguma mentira semelhante.

    Eu dei aula do ensino médio e no pós-graduação, mas abandonei o magistério quando percebi que teria que repetir um currículo estúpido e engessado ano após ano, roubando dos alunos tempo precioso de vida, assim como roubaram de mim este mesmo tempo. Se eu pudesse voltar atrás e definir minha própria educação, ela teria sido muito, muito, muito diferente.

    Eu agora ando pensando em um projetão que tem um lado educacional. Motivo: não quero que meus filhos passem pelo sistema educacional brasileiro. Eu conheço bem demais este monstro para deixar crianças indefesas perto dele.

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    1. Caro Arthur,

      como eu, você sabe que o Brasil é um dos poucos países em que há modalidades ilegais de educar as crianças! Que tipo de país torna em ilegalidade métodos mais eficazes de aprendizado somente porque o Estado, e não os pais, podem dizer o que é importante aprender em suas próprias vidas?

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    2. o professor é produto do meio, félix.
      o professor de hoje foi o aluno de ontem, nas escolas e na faculdade. O baixo salário, péssimas condições de trabalho, salas lotadas, drogas e um cem número de outros problemas também fazem parte desta equação. Não vejo o professor como problema, acredito que ele é o meio para solução.

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    3. Jairo, mudanças não são mendigadas, elas são conquistadas, e às vezes às custas do sangue de uma parte dos que lutam por ela.

      É o professor que DEVE mudar isso. Se a reclamação maior é do professor, é dele que deve partir a responsabilidade da mudança. Se político não muda a situação, significa que parte do próprio professor a vontade de não mudar, ou a preguiça, ou o medo. Quantos professores somos nos Brasil inteiro? E quantos saem nas ruas para enfrentar a polícia quando se pede melhoria da educação? A única coisa que se pede é melhoria de salário... Mas de que adianta o professor pedir melhoria de qualquer um dos dois se o governo apenas construirá algumas escolas, equipará algumas salas de aula, mas não dará nenhum treinamento para o professor fornecer outro tipo de educação? De que adianta melhorar a educação e pedir menos alunos por sala se o governo pune com reclusão e multa qualquer um que quiser educar seu filho em casa (o que diminuiria muito o contingente de alunos nas escolas)? Se um professor acha-se sempre o santo e joga todas as responsabilidades para terceiros, então ele é sim o agente responsável pelo problema, pois ausenta-se de suas responsabilidades.

      O que sempre digo é: quer mudar? Mude! Não espere que mudem por você! Se for esperar que a sociedade mude por você, compre uma cadeira confortável, pois terá de esperar sentado.

      Se busca uma mudança na educação, veja como pensam os demais de sua classe: reclamam que as escolas não recebem recursos, mas viajam para o Rio para assistir o carnaval. Reclamam que o livro não é valorizado, mas perdem tempo indo assistir jogos nos estádios.

      O que acontece, Jairo, é que os professores querem mudanças, mas não querem lutar por elas, querem a posição cômoda de sempre reclamar e não fazer nada, pondo as responsabilidades que deveriam ser deles sobre os ombros de outros.

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  2. "Portanto, para não assumir sua mediocridade e sua falta de combatividade, porque ele reclama do salário mas não quer largar o osso e ir dar a cara a tapa no mercado para abrir sua empresa e ganhar um valor decente, porque ou não tem competência ou abomina o risco, o professor defende o sistema e justifica o conteúdo com "é para aprender a pensar" ou alguma mentira semelhante."


    Bem por aí. Já discuti muito com outras pessoas esse assunto. E a observação feita foi d que os professores ditos "rebeldes" acabam por bater de frente com o sistema, são demitidos e fundam sua propria escola (particular), q amparará qm tm condiçoes financeiras. Isso agrava ainda mais a situação das publicas, pois os professores d lá tendem ao comodismo e ao medo de se rebelar. Piorando a educação e formando novos conformados. Assim como o gestor nao deveria se acomodar, o professor deveria bater de frente, o q convenhamos, é luta dificil, pois na primeira oportunidade, nao importa meu posto hierarquico, reproduzo a opressao q sofri. Logo, assim como o politico nao sabe trabalhar, o professor tbm nao, o medico tbm nao e acorda sempre arrebenta na camada mais pobre. :(

    Antes de mais nada, sei q estou generalizando. Fiz isso apenas para chamar ao debate. Sabemos que há bons exemplos surgindo vz ou outra, mas infelizmente eles não tem força suficiente ainda para incitar outras mudanças por parte dos acomodados. :(

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    1. Compreendo bem o que você defende, Wander. É difícil achegar-se a uma classe conformada e dizer onde estão errados, pois a classe em si nunca admitirá qualquer erro que esteja cometendo, e aqueles que teimam em não agir sempre estarão culpando ora a não ação de terceiros, ora a ação de quem resolveu fazer algo. É uma situação complicadíssima que se resolve ao modo de Alexandre: cortando o nó górdio com a espada.

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